Nome:
Tacianni Cajueiro Andrade
Cidade:
Aracaju-SE
Idade:
22 anos.
Fale um pouco sobre você:
Baiana, jornalista, meia-direita, santista, chocólatra, amante da língua
portuguesa, cabeça-dura. No fundo, queria ser pirata, cavaleiro
templário, piloto de Fórmula 1, ou chefe da máfia Italiana. Gosta de
pular muro e andar descalça.
Há quanto tempo você treina?
Há dois, e dois meses.
Como você conheceu o parkour?
Muitos anos atrás, eu vi essa parada estranha, num programa de TV. Achei
legal, e fim. Não dei muita importância. Em outubro de 2010, precisando
de uma pauta pra uma reportagem, pra disciplina de Telejornalismo I, um
amigo sugeriu que eu entrasse em contato com a recém-formada Associação
Sergipana de Parkour. Nossa proposta de programa era voltada para a
linha esportiva e, eu queria mesmo era rapel. Não fazia ideia que tinha
praticante de parkour no estado de Sergipe e, rapel com os bombeiros me
pareceu, naquele momento, bem mais legal do que parkour, com um bando de
meninos, que eu não sabia o quê, ou mesmo se renderia. Optei pelo
parkour, porque não consegui agendar nada com os bombeiros, dentro do
nosso prazo. Num fim de semana, fiz reconhecimento do ambiente, dos
meninos, da prática; no mesmo dia, comprei meu moletom. Gravamos no dia
seguinte; fiz um treino experimental; nunca mais deixei de ir.
O que você viu no parkour?
Antes de qualquer coisa, me vi imensamente confortável, num ambiente
totalmente alheio à minha realidade. A receptividade dos meninos foi
crucial e logo me peguei criando laços com eles. Mas, mesmo voltando
pelas amizades que se constroem , é preciso muito mais pra se
permanecer. Parkour é diferente de qualquer outra atividade que conheci:
a liberdade e infinidade nas possibilidades de movimentos, a ideia de
ser tão forte, tão ágil e tão útil quanto seu corpo lhe permitir ser; a
satisfação na gradação, mesmo que lenta, em alguns momentos, a
adrenalina tão parceira (porque não?). Ali era, definitivamente, o meu
lugar.
O que o parkour significa para você?
Liberdade: Seja de movimentação, de treino, ou na desconstrução do
espaço. O parkour me ajudou a quebrar preconceitos, paradigmas e
convenções sociais.
Amizade: escolhi, pra mim, esta outra família.
Quais foram os seus maiores desafios?
A falta de preparo físico foi um balde de água fria em vários e vários
treinos. Era frustrante (ainda o é) quando o corpo não obedecia, ou não
aguentava o ritmo do grupo. Ganhar força exigia disciplina e, esse nunca
foi o meu forte. Mas, o maior dos problemas foi ter de conviver com as
lesões que se amontoaram, pelo caminho. Depois de uma lesão crônica nos
joelhos, treinar machucada, limitada, sentindo dor, tem sido o mais
árduo dos desafios. Fez-me desanimar em muitos momentos e readequar meu
treino, adaptá-lo, até modificá-lo por completo. Foi também a maior das
lições. Aprendi a treinar melhor e a ter controle do meu corpo. Percebi
que não preciso ser a mais rápida, ou a que tem a maior precisão, pra
continuar a treinar parkour. Percebi que o treino de parkour é diferente
pra cada um e, a depender de como se treina, pode-se treinar pra
sempre. E que, parkour não está entre as recomendações de nove, entre 10
ortopedistas.
Entrevista cedida ao blog:
http://feminino.parkour.com.br/2013/01/tacianni-cajueiro-andrade.html